Aplicativos para celular

Objetivos possíveis

  • Coletar indícios de desflorestamento ou degradação florestal
  • Coletar evidências de irregularidades que prejudiquem pessoas ou comunidades
  • Registrar e monitorar o valor ambiental da terra ou de áreas florestais
  • Fornecer evidências concretas ao poder público para incentivá-los a reconhecer terras indígenas.

Esta introdução faz parte de uma Cartilha de uso da tecnologia para monitoramento e compartilhamento de informações sobre questões das florestas tropicais, direitos territoriais e dos indígenas. Foi criada como um ponto de partida para organizações e ativistas interessados em utilizar tecnologia para realizar melhor seu trabalho de proteção, e resultou de uma parceria entre a Fundação Rainforest da NoruegaThe Engine Room.

Rainforest Foundation Norway The Engine Room

Baixe a cartilha completa (1.6MB pdf). ou leia abaixo online.

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O que é

  • Aplicativos móveis (ou ‘apps’) são programas de software que funcionam em dispositivos móveis como telefones ou tablets. Em projetos relacionados a florestas tropicais, eles são usados principalmente para coletar dados no campo e transmiti-los diretamente para uma organização.

  • Aplicativos móveis podem ser usados para diversos fins, incluindo gravação de mineração ou exploração ilegal; pesquisas de biodiversidade, ajudando comunidades a mapear sua própria terra; ou validando mapas do governo.

  • Aplicativos podem funcionar tanto em telefones celulares ‘feature’ usando SMS (Serviço de Mensagem) como em smartphones mais caros (com sensores GPS e câmeras).

Como pode ajudar?

Coletar informações no campo pode ser um processo demorado que envolve transporte físico de grande número de formulários de papel em áreas remotas, e então transcrição manual. Aplicativos móveis podem facilitar e acelerar muito este processo.

Uma abordagem comum é dar um dispositivo móvel com um aplicativo para os monitores ambientais. Eles carregam dados neste aplicativo e transmitem pelas redes telefônicas ou por conexão de Internet móvel para um servidor, onde uma organização pode acessá-los. A maioria dos aplicativos capturam automaticamente erros comuns e pedem correções. A maioria dos smartphones captam dados de GPS que podem ser mapeados e combinados com outras formas de dados (veja Mapas online).

Ferramentas

Há diversos aplicativos à sua escolha: o aplicativo certo para você dependente de quantos dados você está coletando, quanta assistência técnica você precisa e o quanto as suas necessidades são específicas. Há websites que podem ajudar você a identificar as ferramentas ou aplicativos móveis mais adequados, incluindo Humanitarian Nomad e Solutions Center.

Custo

Tipo de dispositivo: Rastreadores GPS dedicados são quase sempre mais duráveis e sua bateria dura mais, mas a precisão dos telefones celulares é suficiente para trabalho nas florestas tropicais. Smartphones com sistemas operacionais Android estão disponíveis por menos de 100 dólares e o preço continua caindo. Se você só precisa de funções simples, telefones com recursos mais baratos são uma boa opção. Eles podem ser usados para coletar dados usando SMS ou programas em Java (J2ME).

O quanto o aplicativo é complexo? Quanto mais recursos você quiser, mais treinamento e assistência na solução de problemas vai precisar. Está incluída assistência em serviços como ArcGIS, mas custa caro. Soluções Open source como o Kit Open Data, por outro lado, força você a resolver os problemas (o que toma tempo do pessoal) ou a chamar especialistas de fora (o que normalmente custa dinheiro).

Qual o volume de dados que deseja coletar? Quanto mais dados você captura, mais você gasta no banco de dados que contém as informações, em back-up offline de dados ou tarifas de mensagens SMS.

Para lhe dar uma ideia das opções disponíveis, aqui estão dois exemplos diferentes de custos:

Software livre e de código aberto, mas tecnicamente um desafio - Open Data Kit

Open Data Kit (ODK) é uma coleção de ferramentas de código aberto para coleta de dados móveis que têm sido usadas com sucesso em diversos projetos relacionados a florestas tropicais. É grátis, pode ser modificado por você, e tem uma comunidade de desenvolvedores fornecendo assistência técnica e apoio estratégico. A desvantagem é que o software não é perfeito: feito por voluntários, é de se esperar que as coisas saiam errado. Você provavelmente vai precisar de um desenvolvedor de software para fazer modificações, e certifique-se de que há assistência técnica disponível caso as coisas saiam errado.

Altamente capaz, mas não é barato - Coletor para ArcGIS

O conjunto de aplicativos ArcGIS é um produto GIS premium que oferece opções poderosas para produzir e analisar dados de mapas. Uma licença de usuário básico atualmente custa cerca de 1.500 dólares americanos por ano, incluindo assistência técnica online e por telefone. Para aproveitar o máximo, você precisa pagar pelo conjunto completo: um aplicativo Android, um programa que gerencia os dados coletados no seu servidor, e um programa para publicação de mapas online. A vantagem de usar software premium pago é a variedade de recursos e a confiabilidade. A desvantagem é o alto preço, e como o código é fechado, você não pode contratar um desenvolvedor para fazer mudanças e adaptações ao seu projeto.

Riscos e desafios

É impossível coletar e compartilhar dados de forma totalmente segura através de telefones celulares por causa da forma como são criados. (Veja Security in a Box para saber os motivos.) Isso poderia ser uma ameaça para as pessoas coletando informações; às vezes só o fato de ter um aplicativo pode colocar em risco o monitor de uma comunidade. Pessoas e meio ambientes também podem ser ameaçados como resultado de informações publicadas sobre eles (veja as seções ‘dados responsáveis’ da seção Estratégia).

Estudos de caso

Usando monitores da comunidade para mapeamento em Guiana

Desde 2011, o Programa Global Canopy tem executado um sistema de monitoramento da comunidade com 16 comunidades ameríndias de North Rupununi (Guiana) para fornecer informações sobre as causas desflorestamento, uso da terra e questões socioeconômicas. Monitores da comunidade preenchem formulários em smartphones com Android (Samsung Galaxy X Cover) usando um aplicativo móvel desenvolvido com Open Data Kit. Cada formulário enviado contém dados de localização do GPS integrado do telefone e fotos da sua câmera. Os dados resultantes são então carregados em um sistema de armazenamento de dados online para análise usando Microsoft Excel, ArcGIS, e ODK Aggregate, e mais tarde SMAP software, QGIS, e Google Maps Engine.

Como isso ajudou?

  • A tecnologia permitiu coleta e agregação direta de dados em tempo real, e eliminou a necessidade de transcrição de dados do campo.
  • Popular com as comunidades locais, 87% dos líderes locais e conselheiros do vilarejo disseram que os telefones ajudaram a comunidade a conhecer melhor os recursos locais.
  • O projeto incentivou a colaboração dos mais velhos, conhecedores dos recursos naturais, e dos jovens que são ágeis com dispositivos móveis.

Usando dispositivos GPS para documentar invasões de territórios indígenas

Povos indígenas no Acre foram treinados pela Comissão Pró-Índio do Acre, (CPI-AC) para usarem dispositivos GPS para registrar invasões de territórios indígenas.

Como isso ajudou?

  • As informações reunidas pelos indígenas foram usadas para criar mapas que destacam o problema e apresentam evidências de onde a situação está pior.
  • Um desses mapas de invasão foi apresentado ao ex-Ministro do Meio Ambiente do país, desencadeando uma ação de diversos setores do governo federal contra invasões.

Outros recursos


Sobre

Este site foi criado pela Fundação Rainforest da Noruega e The Engine Room como uma introdução ao uso da tecnologia para monitoramento e compartilhamento de informações sobre questões das florestas tropicais, direito à terra e direitos dos indígenas. Baixe a cartilha completa aqui.

Comentários ou perguntas? Entre em contato post@theengineroom.org ou rainforest@rainforest.no.

A Fundação Rainforest da Noruega (RFN) é uma das organizações líderes mundiais de proteção das florestas tropicais com base em direitos. Sua missão é apoiar as iniciativas dos povos indígenas e populações tradicionais das florestas tropicais do mundo de proteção ao seu meio ambiente e garantia de seus direitos, auxiliando-os a:

  • Garantir e controlar os recursos naturais necessários para seu bem-estar em longo prazo e a gerenciar esses recursos de formas que não prejudiquem o meio ambiente, violem sua cultura ou comprometam seu futuro.

  • E desenvolver meios para proteger seus direitos individuais e coletivos, e obter, modelar e controlar serviços básicos do Estado.

A RFN colabora de perto com mais de 70 organizações ambientais, de direitos humanos e indígenas, locais e nacionais, em 11 países na região Amazônica, África Central, Sudeste da Ásia, e Oceania.

Contribuidores

The Engine Room é uma organização internacional que ajuda ativistas, instituições que promovem mudança social e agentes de mudança a tirar o máximo proveito de dados e tecnologia para aumentar seu impacto. The Engine Room fornece apoio direto a projetos de organizações de mudança social; reúne comunidades para sincronizar as ideias emergentes e conseguir profissionais; além de documentar e publicar descobertas para ajudar qualquer pessoa do setor a tomar melhores decisões sobre o uso de dados e tecnologia.

Tom Walker e Tin Geber pesquisaram e redigiram a história principal, e Ruth Miller liderou o trabalho de design e criação visual. Foram inestimáveis a contribuição e o apoio à edição de Vemund Olsen e Christopher Wilson. O código-fonte do site está disponível em Github.

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